terça-feira, 12 de julho de 2011

Processo de Verticalização de Brusque abre oportunidades para Síndicos e administradoras de condomínio

Celso Deucher

Desde a inauguração do edifício Centenário, no centro na década de 1960, Brusque tem experimentado ares de cidade grande, no que diz respeito a sua verticalização. Hoje são mais de 200 edifícios construídos e praticamente o mesmo tanto em construção. Como se diz no popular a cidade cresce e aparece rasgando o céu do Vale do Itajaí Mirim.

Junto com esta verticalização vem uma série de necessidades que até bem pouco tempo não tínhamos a menor curiosidade de conhecer, pois não faziam parte do nosso dia a dia. Abre-se um amplo marcado de trabalho para profissionais como os síndicos e as empresas de administração de condomínios. Afinal, quem vai lidar com este povo todo “empilhado” dentro dos edifícios?

Em Brusque a profissão de Síndico já se tornou bastante concorrida e dependendo do padrão do edifício a rentabilidade é muito boa. Mas faltam profissionais capacitados e na maioria das vezes esta profissão é ocupada por algum amigo do dono do prédio ou ainda por uma “boa pessoa” que a maioria dos condôminos conhecem. Profissionalmente, só agora esta surgindo a preocupação em formar gente capacitada para atuar no setor.

Mas independente do crescimento vertiginoso a cidade já conta com um grupo de profissionais Síndicos que tem trabalhado firme para ver reconhecida sua profissão na cidade. Nós conversamos com dois deles esta semana para saber mais detalhes sobre a profissão, bem como a missão que abraçaram e o verdadeiro papel que exerce este profissional.

Adelar Müller já é um profissional Sindico reconhecido em toda a cidade e considerado um dos mais eficientes na sua função. Perguntado se necessariamente um edifício precisa ter um sindico, respondeu que todo local, desde a casa nossa, precisa alguém para administrar, de preferência de forma correta para conseguir honrar os compromissos financeiros, como também que tudo funcione. “Então em todo prédio precisa existir a função de síndico, alguns remunerados via pro labore, outros dispensados ao pagamento de condomínio, outros sem direito a nenhum benefício, tudo conforme o estatuto do condomínio”, diz.

Segundo ele, a função do sindico ou quem estaria mais habilitado para assumir esta função, de acordo com Müller é aquela pessoa que pensa primeiro no bem estar do coletivo e depois nele, caso contrário seria um desastre. “Para atuar nesta área precisa entender de tudo um pouco e bastante de pessoas. Há horas que precisa se impor, ao mesmo tempo que precisa ser amigo, deixar o clima de convivência no prédio bom, que todos se aceitam e se respeitam”, pondera. Mas a função vai mais alem: “Precisa administrar financeiramente o prédio, contratar mão de obra e demitir se for preciso, propor melhorias, deixar tudo em perfeito estado de funcionamento. Precisa entender um pouco de hidráulica, elétrica e principalmente saber onde encontrar estes profissionais de confiança. No nosso caso temos conosco a Contabilidade como orientadora também, que faz a cobrança do condomínio, neste caso o síndico não se expõe tanto, mantém os valores transparentes para todos os condôminos”.




 

Segundo Adelar já existem empresas de administração de condomínio em Brusque e onde elas atuam diminui a função do síndico. “Geralmente elas são cercadas de profissionais que prestam serviço a diversos condomínios. A empresa de administração de condomínio geralmente é composta por uma pessoa formada em Administração e um contador”, esclarece.

Ainda segundo nosso entrevistado, há um vertiginoso crescimento neste mercado de trabalho, tanto para administradores, como para contabilidade. “No entanto o mercado precisa de profissionais em constante atualização, em função de alteração de leis”, alerta. Na sua visão, com o crescimento da tendência do crescimento das Administradoras e das empresas de Contabilidade, “no futuro praticamente eliminam a função remunerada de síndico, terá uma pessoa como intermediária entre o prédio e administradora”.

Conversamos também com a Sindica e contabilista Fabiane Horst, para quem o principal papel do sindico é organizar a vida em grupo e mediar os interesses de tantas pessoas diferentes.´”Ser Síndico um cargo difícil de ser exercido. É lamentável, porém é uma realidade, que ninguém gosta ou quer exercer a função de Síndico. Por sua vez, os condôminos em geral, não comparecem às Assembléias Gerais e raramente dão procuração a terceiros para representá-los”, diz Fabiane.

No entanto, Segundo ela, o Síndico, eleito pela Assembléia é o representante legal dos condôminos. “O síndico não pode ter medo de administrar o prédio nem deve dar privilégios a ninguém. Mesmo não sendo uma profissão regulamentada por lei, o ofício detém diversas atribuições importantes que dependem principalmente de pessoas que tenham conhecimento em condomínio e disponibilidade de tempo”, avalia.

Perguntamos a Horst que tipo de problemas são mais corriqueiros na vida de um sindico. Na opinião dela, os Síndicos encontram muitas dificuldades nesta função, pois a mão de obra é muito difícil em Brusque e falta comprometimento, por grande parte dos prestadores de serviços. “Você contrata um serviço e a pessoa não aparece para fazer, eu mesma estou a três meses solicitando um orçamento com uma construtora e não consigo. Pequenos reparos, encanadores, eletricistas, consertos de portão. Tem uma empresa que conheço e temos que ligar para solicitar um conserto e eles nos dão uma senha de espera, ou um agendamento para o atendimento”, reclama a Sindica. Na sua opinião o principal problema enfrentado pelos que abraçam esta profissão é a falta de mão de obra e o comprometimento dos profissionais nesse segmento.            

Mas afinal, existem muitos síndicos em Brusque? Fabiane responde que sim. “Todo prédio que tenha áreas comuns, mesmo que seja um corredor, tem que ter um regimento interno para a sua utilização e uma pessoa responsável, que é o síndico, que pode ser um morador, um proprietário, ou um síndico terceirizado, que hoje em dia está bem na moda, visto que ninguém mais quer ter essa obrigação. Entendo que isso seja cultural, todos nós gostamos muito de exigir, cobrar, reclamar, mais na hora de se doar um pouquinho ninguém pode. E aí que entra as empresas contábeis, e as administradoras de condomínios, para mediar e acabar com esse conflito”, afirma. Em Brusque, inclusive, segundo Fabiane, já temos o sindicato dos empregados em condomínios.

Outra pergunta freqüente de quem gostaria de seguir nesta profissão é se existe a necessidade de para ser sindico ter empresa? Fabiane responde que não. “Para ser síndico você só precisa ter boa vontade, disponibilidade de tempo, ser um morador ou proprietário de uma apartamento no edifício. Qualquer condômino pode ser síndico, basta estar disposto a se doar e considerar seu condomínio como uma extensão de sua casa”.

Ser sindico é uma profissão rentável?

De acordo com Fabiane Horst, em relação à remuneração, o profissional tem que ter muito cuidado. “A remuneração, a isenção da taxa de condomínio e ou honorários, o síndico terá direito se estiver previsto em Convenção, ficando determinado na Assembléia que o eleger, lembrando sempre que o mesmo não é funcionário do condomínio, muito embora possa contribuir para a previdência social individualmente”, afirma. Cabe lembrar, segundo ela, que essas normas restringem-se apenas aos síndicos que são moradores do condomínio onde prestam serviços.

Na sua avaliação a profissão ainda não é rentável o suficiente. “Considero o trabalho do síndico de responsabilidade social importante, a pessoa que se candidata ao cargo deve estar ciente de que irá administrar não somente os interesses de terceiros, mas também o seu próprio, afinal é interesse dela a valorização do seu condomínio. Acredito sim que com a escassez destas pessoas dispostas a se doar, a rentabilidade deverá ser cada vez maior, ou a procura por empresas que façam esse tipo de trabalho”, diz.


Qual o perfil de um Síndico?


O perfil para as pessoas que desejam ser síndicas varia de acordo com as próprias características do condomínio e dos moradores que dividem este espaço. “Porém, a paciência, capacidade de ouvir opiniões, visão sistêmica do ambiente do condomínio, flexibilidade de horários e amor pelo que faz são alguns itens indispensáveis para o bom exercício da profissão”, avalia Horst. “Ser síndico é uma atividade muito importante para que o convívio em grupo em um condomínio se dê da melhor maneira possível. É importante dar valor a este profissional e às pessoas que se dispõem a organizar a vida em grupo e mediar os interesses de tantas pessoas diferentes”, pondera. 


Cursos para Síndico

Depois de ler esta matéria e quem sabe procurar informar-se melhor ainda em sites especializados na internet, você toparia ser um sindico ou uma sindica? Se a resposta for positiva, saiba que existem vários cursos organizados por sindicatos que já focam na formação deste “especialista em resolver problemas” e a procura tem sido grande. Os profissionais com maior experiência administram mais de um condomínio e possuem um bom rendimento no final do mês.

(Publicado no Jornal EM FOCO, edição de 12 de julho de 2011, Páginas 6 e 7)

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